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I.

  O sol da tarde entra pela janela e reflete na toalha de plástico branca. Pela primeira vez há alguma necessidade de procurar a página em meio a pandemia. Talvez, a tentativa de imortalizar esse momento venha da errônea sensação que tudo está para acabar e, nostalgicamente finalmente poderemos deixar tudo para trás. Mas nunca tudo voltará a ser como foi antes, ninguém se banha duas vezes no mesmo rio.   A solidão existencial que se instaura permanecerá sempre aqui como aquela marquinha de vacina no seu braço direito que você não lembra de ter adquirido. Você deveria escrever. Mas a questão é escrever o que? Toda a validação externa que poderia haver não há, e qualquer mão afável já virou a muito tempo pantera.   Você deixou o seu país com o dinheiro de seus pais. Enquanto milhares de pessoas morrem todos os dias, você enche páginas como o sol enche a toalha. Não existe uma mudança de estrutura, só um leve calor, só um resquício de pessoa e nenhuma criatividade. Provavelm...

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